A Inclusão na Família e na Sociedade e na Escola
A inclusão escolar já é realidade. Muito tem se falado, debatido sobre o assunto. As diferenças de um modo geral são questionadas o tempo todo. É preciso definir, no entanto, quem vai ser incluído, sabe-se que a camada da população que mais cresce é aquela que desafia a escola que são as crianças com necessidades especiais.
Além disso, a realidade escolar hoje é que precisa ser mudada, a escola, os professores, os administrativos, e principalmente as famílias que tem que adquirir o conceito real da inclusão. A primeira dificuldade é a aceitação da deficiência que o filho (a) possui e esse processo é lento e muitas vezes doloroso. Porque os pais planejam a chegada de uma criança normal e com suas características físicas, com saúde perfeita, e linda. Nem imaginam, nem sonham com crianças com algum tipo de deficiência. E de acordo com SMITH, (1985, p.17):
O desapontamento de que um filho não seja perfeito oferece uma ameaça ao ego de muitos pais e um desafio a seu sistema de valores, esse choque em relação às expectativas anteriores cria relutância para aceitar o filho como uma pessoa de valor, em desenvolvimento.
Percebe-se, portanto que os pais também encontram dificuldades em aceitar os filhos com deficiência assim pode gerar conflitos e desajustes na maioria das vezes quando a família não consegue superar essa dificuldade, acaba atrapalhando a inclusão tanto na sociedade como na escola.
A chegada de uma criança deficiente de início se não é nítido a mãe até pensa que a criança é normal. Então Klaus, Kennel e Klaus (2000), fala da importância dos primeiros momentos de vida da criança com a mãe que pode tornar mais fácil a investida de falar do problema depois de certo tempo em que a mãe já tenha tirado suas próprias impressões, assim quando o médico for expor a deficiência para os pais, acredita-se que a mãe já tenha exercido sua função de maternidade. Neste sentido MANNONI, apud AZEVEDO e POTTI, (1991, p.14) diz que:
O nascimento de um filho representa para uma mãe a recompensa ou repetição de sua própria infância. O filho vai ocupar lugar em seus sonhos perdidos, vai preencher aquilo que ficou vazio em seu próprio passado. Quando o filho encarregado de recuperar os sonhos perdidos da mãe nasce doente, a irrupção na realidade de uma situação a faz entrar em choque, pois no memento em que, no plano fantasmático, seus vazios eram preenchidos por um filho imaginário surge um ser real que, não só vai renovar seus traumas e insatisfações, como deixa-los mais intensos do que antes. (MAUD MANNONI, 1999)
As mães, portanto, sentem-se culpadas, frustradas, se perguntam o que fizeram de errado, enfim chegam ao fundo do poço para depois então entenderam que filhos são bênçãos de Deus, e percebem que crianças que nascem com deficiências em suas mãos e são elas as escolhidas por Deus para cuidar dessas crianças.
Por outro lado ao buscarem ajuda de profissionais especializados, tentam entender o que fazer e o que as crianças irão precisar, e quando não encontram respostas desses profissionais de suas aflições sentem-se decepcionadas e os médicos impotentes com a situação e por mais que se esforcem sabem que não poderão ter a cura definitiva desta criança. As mães mesmo sabendo que não tem saída e que precisam lidar com a situação vão questionar sempre os diagnósticos, sempre vão ter esperança na “cura”, pensam então que médico irá dar as respostas que elas não irão ouvir, mas buscam também alguém que na fachada de tranqüilidade perceba que elas não agüentam mais. (Azevedo, Potti).
Portanto percebe-se que a aceitação de uma criança deficiente é muito dolorosa, vem a rejeição, a culpa e até mesmo de acusação contra o médico que fez o parto desta criança é o que fala Rosana Queiroz em seu depoimento com a chegada de sua filha com síndrome de Dwan:
Foram os piores momentos da nossa vida, sentimento de dor, culpa tristeza, frustração profunda, e que comprometeu a formação de vínculo inicial mãe/bebê. Na verdade eu olhava para ela e sentia uma versão intensa, e imaginei que tudo não passava de uma ilusão que nada era real... Chamamos o pediatra,em seguida ele entrou,perguntei por que eles fizeram isso, por que atrasaram o parto nesse momento atribui a culpa à equipe médica.
È certo que a inclusão de portadores com necessidades especiais está amparada na Lei nº 9394/96, que delega à família, à escola e à sociedade o compromisso de uma escola para todos.
Se nos reportarmos para o passado perceberemos o caminho da exclusão, em que os portadores de algum tipo de necessidade eram banidos da sociedade. Hoje isso não acontece mais, mas ainda há a exclusão em instituições que foram criadas para solucionar o “problema”. E segundo MANTOAN, (1997, P.20):
[...] enquanto a pessoa está adequada às normas, no anonimato ela é aceita. Basta, no entanto, que ela cometa qualquer infração ou adquira qualquer traço de anormalidade para que seja denunciada como desviante.
Na década de 60, por exemplo, vemos a explosão de instituições especializadas que foram feitas para “proteger” o deficiente, mas na realidade era uma forma mascarada de excluí-los da sociedade. A pessoa deficiente convive com sua família e por isso também precisa viver em sociedade.
Na década de 80 novos rumos tomam para tentar integrar o portador deficiente, mas alguns estudiosos perceberam que esta integração não era suficiente, pois, precisavam integrá-los de forma absoluta como seres participantes na sociedade.
Assim considerando que a diferença é inerente ao ser humano, e que de uma forma geral todos nós somos diferentes, a diversidade então é muito natural, e percebe-se que todos nós temos direitos e deveres na sociedade surgem então o conceito inclusão. ”Este é o termo que se encontrou para definir uma sociedade que considera todos os seus membros como cidadãos legítimos”. Mader in Mantoan,(1997,p.47).
E na educação isso não é regra, pois a escola desde os primeiros tempos esta preparada para transmitir conhecimentos científicos para pessoas ditas normais e quando se depara com as diferenças encontra muitas dificuldades. Além disso, transmitir conteúdos curriculares não é tão somente preparar o aluno para a vida, mas prepará-lo para o mercado competitivo que está posto em nossos dias e isso se exige muito da escola e principalmente do educador. Precisamos, portanto, combater o comodismo e a descrença e mostrar que a inclusão é uma oportunidade para que todos demonstrem suas competências e habilidades. (Mantoan).
A inclusão como já sabemos é uma realidade, portanto, não basta somente falarmos, é preciso adequar para nossa prática docente. Sabemos que as pessoas com alguma deficiência física, mental ou sensorial por suas próprias limitações motoras ou sociais agravadas por sentimentos paternalistas que não valorizam suas potencialidades, crescem com uma restrita interação com o meio e a realidade que as cercam.
É preciso primeiramente lembrar que quando estas crianças com necessidades educacionais especiais ingressam em um sistema educativo, vivenciam situações em seu cotidiano que estão além da sua realidade e que muitas vezes acabam sendo excluídas, porque têm suas limitações, suas necessidades diferenciadas. Frequentemente são submetidas a um modelo educacional na qual continuam sendo objeto e não o sujeito de seu próprio processo educativo.
Assim a inclusão faz-se necessária porque vai tentar fazer com que o docente trabalhe de uma forma diferenciada, com as crianças valorizando sua potencialidade, além de fazer de suas aulas mais dinâmicas e interessantes não somente para os indivíduos com necessidades educacionais especiais, mas para todos os alunos tornando assim a inclusão um fator real.
Mas para que o aprendiz seja um sujeito ativo, participante e construtor de seu próprio conhecimento (Piaget) é preciso que sejam oferecidas condições necessárias para praticar a sua capacidade de pensar, comparar, formular e testar ele mesmo suas hipóteses, relacionar conteúdos e conceitos.
Neste sentido a educação precisa acolher a diversidade pensar que todos os indivíduos são diferentes, e assim o papel da escola é trabalhar com essas diferenças. A adaptação de conteúdos curriculares faz-se necessário, para tanto ao elaborar tais conteúdos é preciso que o professor faça uma observação diagnóstica da sua sala de aula e se ele por ventura já tem alunos com necessidades educacionais especiais é preciso que trabalhe de uma forma diferenciada e diversificada visando ao aluno especial o pleno desenvolvimento de suas potencialidade e sua efetiva participação na sociedade.
Desta forma as adaptações de acesso dos espaços físicos, curriculares, metodologias, materiais didáticos pedagógicos que visam a integrar a criança com necessidade especial é necessário no cotidiano docente. E de acordo com Montoan (2006, p.10):
Assim o desafio é construir alternativas para lidar com a diversidade, buscando fazer das escolas um lugar de potencialização das expressões individuais e coletivas, da comunidade e de sua cultura.
Portanto não há como pensar em educação inclusiva sem procurarmos nos adaptar, mudar nossos próprios conceitos, e vermos que em sala de aula todos os alunos de certa forma são diferentes, nossas salas, portanto não é como a maioria pensa homogênea, mas muito bem diversificado. Angelli Ferraz destaca que a discussão da inclusão nas escolas ultrapassa as questões metodológicas e técnicas e envolvem as políticas públicas e isso exige coragem e ousadia. Marilene da Silva Cardoso vai mais além ela fala que as pessoas especiais só o são porque a sociedade assim os determina. É necessário frisar, que oferecer uma escola com um ambiente favorável à escola, não é só ter conhecimento das mais variadas diversidades, o que é possível ser trabalhado, ou o que a criança já possui de conhecimento, mas respeitar suas limitações, reconhecer suas diferenças e valorizar suas potencialidades. E de acordo com CARNEIRO, (1997, p.33):
[...] os portadores de deficiência precisam ser considerados, a partir das suas potencialidades de aprendizagem. Sobre esse aspecto é facilmente compreensível que a escola não tenha que consertar o defeito, valorizado as habilidades que o deficiente possui, mas ao contrário, trabalhar sua potencialidade, com vista em seu desenvolvimento.
Lembremos também que a escola tem toda uma bagagem de cultura e saberes que atendam as necessidades da sociedade e este conceito é histórico. E, no entanto se a criança com deficiência antes era banida da sociedade hoje ela tem a garantia de ser participante dessa sociedade, que pode ser igual às outras crianças e com seus direitos garantidos. Para isso é necessário pensar em uma escola com estrutura, avaliação, metodologia, etc,que atenda de uma forma que o conhecimento chegue também para essas crianças., pois apesar de a escola se declarar liberal que aceita as diferenças, as diversidades isto ainda não é uma realidade e é preciso que ela a escola assuma definitivamente o seu papel, o seu compromisso de com as mudanças sociais,com os cuidados e respeitos que não somente o aluno conceituado normal mas todos deficientes ou não.
Portanto, o compromisso da escola é o de transmitir saberes, assim como introduzir o aluno no mundo social, cultural e científico e todos os seres humanos tem esse direito.
Lembremos também que é muito importante nesta questão o papel do professor, a sua formação tanto inicial quanto continuada para poder oferecer a todos os alunos com deficiência ou não uma educação de qualidade, DEMO (1992) alerta para a necessidade crescente de pensar em uma educação permanente para professores, isto porque as mudanças estão acontecendo muito rápido e a educação não fica atrás nestas mudanças. A tecnologia, e a produção de conhecimento fazem-se necessário que o professor sempre procure estar se atualizando profissionalmente.
Assim pensar na educação inclusiva hoje é necessário que tanto a escola, a família, mas principalmente o docente precisa ter consciência de sua postura, para poder oferecer, conhecimentos e saberes que serão necessários na vida de todos. A inclusão de portadores de necessidades especiais é um grande desafio para professores, entidades e a sociedade, bem como para a família, pois mesmo com as leis que garantam esta inclusão há certo desconforto em se lidar com essa situação. Mônica de Carvalho Magalhões Kassar,Doutora em Educação fala do caminho percorrido no Brasil pelos deficientes para atingirem a inclusão escolar e social, faz uma reflexão sobre o discurso assistencialista que envolve,assim como as dificuldades que permeiam a consolidação da cidadania dos indivíduos deficientes enquanto integrantes na sociedade.
Lembremos também do despreparo profissional dos envolvidos, combatendo assim os métodos tradicionais que acabam segregando ainda mais os indivíduos com deficiência, tanto na vida escolar quanto na vida social. Mostrando afinal os principais problemas da inclusão, alguns teóricos que a defendem apontam ainda como a cada dia a noção de deficiência vem sendo superada, a partir das áreas da História, Filosofia, a Educação Física e a área da saúde mostram como substituir a noção de deficiência em eficiência já que hoje em dia vemos a superação das limitações dos indivíduos diferentes.Edivaldo José Bortoleto,Doutor em Semiótica no Diálogo com a Filosofia nos aponta a trajetória histórica desde a Antigüidade clássica até a idade contemporânea,nesse percurso somos levado a refletir sobre o que é o corpo e como temos tratado ao longo dos tempos,principalmente do corpo deficiente. Através das linhas barrocas e kantinianas do pensamento o diferente é apresentado como fundamental para que o homem contemporâneo possa se aceitar e assumir – se como tal. E aceitando – se ele pode ser o que deseja e assim percebe as faltas que tem.
A segregação e o confinamento em instituições que por incrível, ainda são práticas utilizadas em nossos dias. Mari Gândara,Doutora em Psicologia fala das possibilidades em a Educação Física se adaptar e ao mesmo tempo de superar os limites dos alunos deficientes,proporcionando Movimento e Percepção. Assim a aceitação da diferença de formas tão variadas faz – nos concluir que se por um lado a inclusão tem problemas, por outro a discussão sobre ela está se tornando mais amplo a cada dia. Os diferentes cada vez mais estão conseguindo espaço na educação, na sociedade, na vida profissional e as sabemos que ainda há muito a se fazer, também somos conscientes de que muito já foi feito. Marilene da Silva Cardoso, Pedagoga habilitada em Educação Especial, fala que as pessoas com necessidades especiais,antes de serem especiais são alunos e sujeitos e que suas necessidades são só especiais porque assim determina a sociedade.
Wagner de Angeli Ferraz, Pedagogo e Coordenador Pedagógico, aponta que a discussão sobre a inclusão ultrapassa as questões técnicas e metodológicas na escola diz respeito também as políticas públicas o envolvimento de todos exigindo assim, coragem e ousadia.
Portanto, como vimos a inclusão ainda precisa resolver muitos problemas, mas alguns estudiosos que estão embasando esta luta são unânimes em afirmar que ela é necessária,pois estamos antes de tudo falando em pessoas sujeitos históricos ,não somente portadores de alguma deficiência.
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
BRASÍLIA, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/96 de 20 de dezembro de 1996.
CLAUS, Dieter Stobaus;JUAN,José Mourim Mosquera (org): Educação Especial em Direção a Educação Inclusiva.Edipucrs Editora.Porto Alegre,RS,2004.
DEMO, Pedro: Formação de professores básicos. Em aberto. Brasília, v.12, n.54, p.23-42, abr./jun.1992.
KLAUS, Marshall H.; KENNEL, John H.; KLAUS, Phyllis H.: Vinculo: construindo as bases para um apego e para a independência. Porto Alegre: ARTMED, 2000.
MANNONI, Maud. A criança retardada e a mãe. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. A integração de pessoas com deficiência; considerações para uma reflexão sobre o tema. São Paulo; MEMNON. Editora SENAC. 1997.
REVISTA PÁTIO. Educação Infantil: Inclusão: Uma alternativa Ética. Ano III,nº 9.Artmed Editora.Porto Alegre,RS. Novembro 2005/ Fevereiro 2006.
REVISTA MOVIMENTO E PERCEPÇÃO; Yara Helena de Andrade. Espírito Santo do Pinhal, SP. Janeiro / junho 2005
SMITH, Patty Mcgill.apud RODRIGUES,Rosana Queiroz da Silva:A família e o diagnóstico da Deficiência.1985.
A inclusão escolar já é realidade. Muito tem se falado, debatido sobre o assunto. As diferenças de um modo geral são questionadas o tempo todo. É preciso definir, no entanto, quem vai ser incluído, sabe-se que a camada da população que mais cresce é aquela que desafia a escola que são as crianças com necessidades especiais.
Além disso, a realidade escolar hoje é que precisa ser mudada, a escola, os professores, os administrativos, e principalmente as famílias que tem que adquirir o conceito real da inclusão. A primeira dificuldade é a aceitação da deficiência que o filho (a) possui e esse processo é lento e muitas vezes doloroso. Porque os pais planejam a chegada de uma criança normal e com suas características físicas, com saúde perfeita, e linda. Nem imaginam, nem sonham com crianças com algum tipo de deficiência. E de acordo com SMITH, (1985, p.17):
O desapontamento de que um filho não seja perfeito oferece uma ameaça ao ego de muitos pais e um desafio a seu sistema de valores, esse choque em relação às expectativas anteriores cria relutância para aceitar o filho como uma pessoa de valor, em desenvolvimento.
Percebe-se, portanto que os pais também encontram dificuldades em aceitar os filhos com deficiência assim pode gerar conflitos e desajustes na maioria das vezes quando a família não consegue superar essa dificuldade, acaba atrapalhando a inclusão tanto na sociedade como na escola.
A chegada de uma criança deficiente de início se não é nítido a mãe até pensa que a criança é normal. Então Klaus, Kennel e Klaus (2000), fala da importância dos primeiros momentos de vida da criança com a mãe que pode tornar mais fácil a investida de falar do problema depois de certo tempo em que a mãe já tenha tirado suas próprias impressões, assim quando o médico for expor a deficiência para os pais, acredita-se que a mãe já tenha exercido sua função de maternidade. Neste sentido MANNONI, apud AZEVEDO e POTTI, (1991, p.14) diz que:
O nascimento de um filho representa para uma mãe a recompensa ou repetição de sua própria infância. O filho vai ocupar lugar em seus sonhos perdidos, vai preencher aquilo que ficou vazio em seu próprio passado. Quando o filho encarregado de recuperar os sonhos perdidos da mãe nasce doente, a irrupção na realidade de uma situação a faz entrar em choque, pois no memento em que, no plano fantasmático, seus vazios eram preenchidos por um filho imaginário surge um ser real que, não só vai renovar seus traumas e insatisfações, como deixa-los mais intensos do que antes. (MAUD MANNONI, 1999)
As mães, portanto, sentem-se culpadas, frustradas, se perguntam o que fizeram de errado, enfim chegam ao fundo do poço para depois então entenderam que filhos são bênçãos de Deus, e percebem que crianças que nascem com deficiências em suas mãos e são elas as escolhidas por Deus para cuidar dessas crianças.
Por outro lado ao buscarem ajuda de profissionais especializados, tentam entender o que fazer e o que as crianças irão precisar, e quando não encontram respostas desses profissionais de suas aflições sentem-se decepcionadas e os médicos impotentes com a situação e por mais que se esforcem sabem que não poderão ter a cura definitiva desta criança. As mães mesmo sabendo que não tem saída e que precisam lidar com a situação vão questionar sempre os diagnósticos, sempre vão ter esperança na “cura”, pensam então que médico irá dar as respostas que elas não irão ouvir, mas buscam também alguém que na fachada de tranqüilidade perceba que elas não agüentam mais. (Azevedo, Potti).
Portanto percebe-se que a aceitação de uma criança deficiente é muito dolorosa, vem a rejeição, a culpa e até mesmo de acusação contra o médico que fez o parto desta criança é o que fala Rosana Queiroz em seu depoimento com a chegada de sua filha com síndrome de Dwan:
Foram os piores momentos da nossa vida, sentimento de dor, culpa tristeza, frustração profunda, e que comprometeu a formação de vínculo inicial mãe/bebê. Na verdade eu olhava para ela e sentia uma versão intensa, e imaginei que tudo não passava de uma ilusão que nada era real... Chamamos o pediatra,em seguida ele entrou,perguntei por que eles fizeram isso, por que atrasaram o parto nesse momento atribui a culpa à equipe médica.
È certo que a inclusão de portadores com necessidades especiais está amparada na Lei nº 9394/96, que delega à família, à escola e à sociedade o compromisso de uma escola para todos.
Se nos reportarmos para o passado perceberemos o caminho da exclusão, em que os portadores de algum tipo de necessidade eram banidos da sociedade. Hoje isso não acontece mais, mas ainda há a exclusão em instituições que foram criadas para solucionar o “problema”. E segundo MANTOAN, (1997, P.20):
[...] enquanto a pessoa está adequada às normas, no anonimato ela é aceita. Basta, no entanto, que ela cometa qualquer infração ou adquira qualquer traço de anormalidade para que seja denunciada como desviante.
Na década de 60, por exemplo, vemos a explosão de instituições especializadas que foram feitas para “proteger” o deficiente, mas na realidade era uma forma mascarada de excluí-los da sociedade. A pessoa deficiente convive com sua família e por isso também precisa viver em sociedade.
Na década de 80 novos rumos tomam para tentar integrar o portador deficiente, mas alguns estudiosos perceberam que esta integração não era suficiente, pois, precisavam integrá-los de forma absoluta como seres participantes na sociedade.
Assim considerando que a diferença é inerente ao ser humano, e que de uma forma geral todos nós somos diferentes, a diversidade então é muito natural, e percebe-se que todos nós temos direitos e deveres na sociedade surgem então o conceito inclusão. ”Este é o termo que se encontrou para definir uma sociedade que considera todos os seus membros como cidadãos legítimos”. Mader in Mantoan,(1997,p.47).
E na educação isso não é regra, pois a escola desde os primeiros tempos esta preparada para transmitir conhecimentos científicos para pessoas ditas normais e quando se depara com as diferenças encontra muitas dificuldades. Além disso, transmitir conteúdos curriculares não é tão somente preparar o aluno para a vida, mas prepará-lo para o mercado competitivo que está posto em nossos dias e isso se exige muito da escola e principalmente do educador. Precisamos, portanto, combater o comodismo e a descrença e mostrar que a inclusão é uma oportunidade para que todos demonstrem suas competências e habilidades. (Mantoan).
A inclusão como já sabemos é uma realidade, portanto, não basta somente falarmos, é preciso adequar para nossa prática docente. Sabemos que as pessoas com alguma deficiência física, mental ou sensorial por suas próprias limitações motoras ou sociais agravadas por sentimentos paternalistas que não valorizam suas potencialidades, crescem com uma restrita interação com o meio e a realidade que as cercam.
É preciso primeiramente lembrar que quando estas crianças com necessidades educacionais especiais ingressam em um sistema educativo, vivenciam situações em seu cotidiano que estão além da sua realidade e que muitas vezes acabam sendo excluídas, porque têm suas limitações, suas necessidades diferenciadas. Frequentemente são submetidas a um modelo educacional na qual continuam sendo objeto e não o sujeito de seu próprio processo educativo.
Assim a inclusão faz-se necessária porque vai tentar fazer com que o docente trabalhe de uma forma diferenciada, com as crianças valorizando sua potencialidade, além de fazer de suas aulas mais dinâmicas e interessantes não somente para os indivíduos com necessidades educacionais especiais, mas para todos os alunos tornando assim a inclusão um fator real.
Mas para que o aprendiz seja um sujeito ativo, participante e construtor de seu próprio conhecimento (Piaget) é preciso que sejam oferecidas condições necessárias para praticar a sua capacidade de pensar, comparar, formular e testar ele mesmo suas hipóteses, relacionar conteúdos e conceitos.
Neste sentido a educação precisa acolher a diversidade pensar que todos os indivíduos são diferentes, e assim o papel da escola é trabalhar com essas diferenças. A adaptação de conteúdos curriculares faz-se necessário, para tanto ao elaborar tais conteúdos é preciso que o professor faça uma observação diagnóstica da sua sala de aula e se ele por ventura já tem alunos com necessidades educacionais especiais é preciso que trabalhe de uma forma diferenciada e diversificada visando ao aluno especial o pleno desenvolvimento de suas potencialidade e sua efetiva participação na sociedade.
Desta forma as adaptações de acesso dos espaços físicos, curriculares, metodologias, materiais didáticos pedagógicos que visam a integrar a criança com necessidade especial é necessário no cotidiano docente. E de acordo com Montoan (2006, p.10):
Assim o desafio é construir alternativas para lidar com a diversidade, buscando fazer das escolas um lugar de potencialização das expressões individuais e coletivas, da comunidade e de sua cultura.
Portanto não há como pensar em educação inclusiva sem procurarmos nos adaptar, mudar nossos próprios conceitos, e vermos que em sala de aula todos os alunos de certa forma são diferentes, nossas salas, portanto não é como a maioria pensa homogênea, mas muito bem diversificado. Angelli Ferraz destaca que a discussão da inclusão nas escolas ultrapassa as questões metodológicas e técnicas e envolvem as políticas públicas e isso exige coragem e ousadia. Marilene da Silva Cardoso vai mais além ela fala que as pessoas especiais só o são porque a sociedade assim os determina. É necessário frisar, que oferecer uma escola com um ambiente favorável à escola, não é só ter conhecimento das mais variadas diversidades, o que é possível ser trabalhado, ou o que a criança já possui de conhecimento, mas respeitar suas limitações, reconhecer suas diferenças e valorizar suas potencialidades. E de acordo com CARNEIRO, (1997, p.33):
[...] os portadores de deficiência precisam ser considerados, a partir das suas potencialidades de aprendizagem. Sobre esse aspecto é facilmente compreensível que a escola não tenha que consertar o defeito, valorizado as habilidades que o deficiente possui, mas ao contrário, trabalhar sua potencialidade, com vista em seu desenvolvimento.
Lembremos também que a escola tem toda uma bagagem de cultura e saberes que atendam as necessidades da sociedade e este conceito é histórico. E, no entanto se a criança com deficiência antes era banida da sociedade hoje ela tem a garantia de ser participante dessa sociedade, que pode ser igual às outras crianças e com seus direitos garantidos. Para isso é necessário pensar em uma escola com estrutura, avaliação, metodologia, etc,que atenda de uma forma que o conhecimento chegue também para essas crianças., pois apesar de a escola se declarar liberal que aceita as diferenças, as diversidades isto ainda não é uma realidade e é preciso que ela a escola assuma definitivamente o seu papel, o seu compromisso de com as mudanças sociais,com os cuidados e respeitos que não somente o aluno conceituado normal mas todos deficientes ou não.
Portanto, o compromisso da escola é o de transmitir saberes, assim como introduzir o aluno no mundo social, cultural e científico e todos os seres humanos tem esse direito.
Lembremos também que é muito importante nesta questão o papel do professor, a sua formação tanto inicial quanto continuada para poder oferecer a todos os alunos com deficiência ou não uma educação de qualidade, DEMO (1992) alerta para a necessidade crescente de pensar em uma educação permanente para professores, isto porque as mudanças estão acontecendo muito rápido e a educação não fica atrás nestas mudanças. A tecnologia, e a produção de conhecimento fazem-se necessário que o professor sempre procure estar se atualizando profissionalmente.
Assim pensar na educação inclusiva hoje é necessário que tanto a escola, a família, mas principalmente o docente precisa ter consciência de sua postura, para poder oferecer, conhecimentos e saberes que serão necessários na vida de todos. A inclusão de portadores de necessidades especiais é um grande desafio para professores, entidades e a sociedade, bem como para a família, pois mesmo com as leis que garantam esta inclusão há certo desconforto em se lidar com essa situação. Mônica de Carvalho Magalhões Kassar,Doutora em Educação fala do caminho percorrido no Brasil pelos deficientes para atingirem a inclusão escolar e social, faz uma reflexão sobre o discurso assistencialista que envolve,assim como as dificuldades que permeiam a consolidação da cidadania dos indivíduos deficientes enquanto integrantes na sociedade.
Lembremos também do despreparo profissional dos envolvidos, combatendo assim os métodos tradicionais que acabam segregando ainda mais os indivíduos com deficiência, tanto na vida escolar quanto na vida social. Mostrando afinal os principais problemas da inclusão, alguns teóricos que a defendem apontam ainda como a cada dia a noção de deficiência vem sendo superada, a partir das áreas da História, Filosofia, a Educação Física e a área da saúde mostram como substituir a noção de deficiência em eficiência já que hoje em dia vemos a superação das limitações dos indivíduos diferentes.Edivaldo José Bortoleto,Doutor em Semiótica no Diálogo com a Filosofia nos aponta a trajetória histórica desde a Antigüidade clássica até a idade contemporânea,nesse percurso somos levado a refletir sobre o que é o corpo e como temos tratado ao longo dos tempos,principalmente do corpo deficiente. Através das linhas barrocas e kantinianas do pensamento o diferente é apresentado como fundamental para que o homem contemporâneo possa se aceitar e assumir – se como tal. E aceitando – se ele pode ser o que deseja e assim percebe as faltas que tem.
A segregação e o confinamento em instituições que por incrível, ainda são práticas utilizadas em nossos dias. Mari Gândara,Doutora em Psicologia fala das possibilidades em a Educação Física se adaptar e ao mesmo tempo de superar os limites dos alunos deficientes,proporcionando Movimento e Percepção. Assim a aceitação da diferença de formas tão variadas faz – nos concluir que se por um lado a inclusão tem problemas, por outro a discussão sobre ela está se tornando mais amplo a cada dia. Os diferentes cada vez mais estão conseguindo espaço na educação, na sociedade, na vida profissional e as sabemos que ainda há muito a se fazer, também somos conscientes de que muito já foi feito. Marilene da Silva Cardoso, Pedagoga habilitada em Educação Especial, fala que as pessoas com necessidades especiais,antes de serem especiais são alunos e sujeitos e que suas necessidades são só especiais porque assim determina a sociedade.
Wagner de Angeli Ferraz, Pedagogo e Coordenador Pedagógico, aponta que a discussão sobre a inclusão ultrapassa as questões técnicas e metodológicas na escola diz respeito também as políticas públicas o envolvimento de todos exigindo assim, coragem e ousadia.
Portanto, como vimos a inclusão ainda precisa resolver muitos problemas, mas alguns estudiosos que estão embasando esta luta são unânimes em afirmar que ela é necessária,pois estamos antes de tudo falando em pessoas sujeitos históricos ,não somente portadores de alguma deficiência.
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
BRASÍLIA, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/96 de 20 de dezembro de 1996.
CLAUS, Dieter Stobaus;JUAN,José Mourim Mosquera (org): Educação Especial em Direção a Educação Inclusiva.Edipucrs Editora.Porto Alegre,RS,2004.
DEMO, Pedro: Formação de professores básicos. Em aberto. Brasília, v.12, n.54, p.23-42, abr./jun.1992.
KLAUS, Marshall H.; KENNEL, John H.; KLAUS, Phyllis H.: Vinculo: construindo as bases para um apego e para a independência. Porto Alegre: ARTMED, 2000.
MANNONI, Maud. A criança retardada e a mãe. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. A integração de pessoas com deficiência; considerações para uma reflexão sobre o tema. São Paulo; MEMNON. Editora SENAC. 1997.
REVISTA PÁTIO. Educação Infantil: Inclusão: Uma alternativa Ética. Ano III,nº 9.Artmed Editora.Porto Alegre,RS. Novembro 2005/ Fevereiro 2006.
REVISTA MOVIMENTO E PERCEPÇÃO; Yara Helena de Andrade. Espírito Santo do Pinhal, SP. Janeiro / junho 2005
SMITH, Patty Mcgill.apud RODRIGUES,Rosana Queiroz da Silva:A família e o diagnóstico da Deficiência.1985.
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